Edição Nº: 5334 - Quarta-Feira, 20 de Janeiro de 2016.
 
Combate à Dengue é responsabilidade do poder público e da população

A cada ano, são renovadas as campanhas com o objetivo de evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, chikungunya e zika. A bióloga e membro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Seção RS (Abes-RS), Maria Mercedes Bendati, afirma que a prevenção é tanto responsabilidade do poder público quanto dos cidadãos.
Segundo Mercedes, são várias condições que contribuem para a proliferação dos mosquitos nos ambientes urbanos. O primeiro aspecto diz respeito à infraestrutura, como a insuficiência ou intermitência de abastecimento de água, que obriga as pessoas a manterem reservatórios, muitos com vedação inadequada; a ausência de coleta de resíduos sólidos e a sua disposição incorreta; e, a drenagem pluvial, que muitas vezes é insuficiente e faz com que águas fiquem acumuladas próximo às bocas de lobo, por exemplo.
“A questão cultural está ligada ao uso intenso de produtos e embalagens descartáveis, que geram resíduos e que devem ser dispostos de forma adequada pelo morador. Ele também deve manter o cuidado na sua própria casa, revisando o local semanalmente. Muitas vezes a população fica esperando que alguém vá cuidar do seu potinho com água e isto não é um modelo sustentável de prevenção”, afirma Mercedes.
Apesar da permanente campanha, a bióloga informa que nem toda a população de mosquitos Aedes aegypti está infectada com o vírus da dengue. O mosquito só é contaminado quando alguma pessoa doente é picada pelo vetor, que então passa a transmitir o vírus. Só há a confirmação quando algum cidadão apresenta os sintomas da doença. No entanto, é preciso ter ações permanentes de vigilância do mosquito para acompanhar a situação de transmissão de vírus.
“É necessário que ter nossas próprias medidas para prevenir o mosquito, como não deixar o pratinho com água parada em baixo das plantas, cuidar de calhas, ralos, pneus e descartar de forma correta os itens recicláveis. Ao poder público, cabe manter as mesmas atitudes nas áreas públicas e nos prédios sob sua responsabilidade, além de promover as soluções de infraestrutura para as demandas citadas anteriormente e acompanhar a situação epidemiológica”, informa a bióloga.
De acordo com o Informativo Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde, divulgada no início deste ano, em 2015, 4.065 casos suspeitos de Dengue foram registrados. Entre eles, 1.277 foram confirmados, sendo 233 importados e 1.044 contraídos no Rio Grande do Sul, e desses 17 em Porto Alegre. Mercedes comenta que, comparado ao demais estados do Brasil, os registros da doença no RS são restritos geralmente ao primeiro semestre, mas a situação de presença do mosquito, as condições ambientais (chuvas e calor), assim como a mobilidade de pessoas, indicam sempre um risco de transmissão dessas doenças no Estado.

 
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