Edição Nº: 5339 - Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2016.
 
Infestação do mosquito aumenta na cidade

Se o ministro da Saúde Marcelo Castro diz que o Brasil está perdendo a batalha contra o Aedes, Quaraí também enfrenta o mesmo problema, uma cidade infestada, e mesmo conhecendo todos os riscos a população não está disposta a colaborar. É o que se constatou na entrevista com o chefe da Vigilância Sanitária, João Ricardo Pontes. Mas mesmo assim “o trabalho segue sendo realizado da mesma forma, seguimos o Programa Nacional de Controle da Dengue. Hoje estamos com o município infestado, ano passado encerramos o ano com 230 focos do mosquito Aedes Aegypti, o mosquito se alastrou por praticamente todo o perímetro urbano, praticamente todas as localidades que temos cadastradas aqui com a presença do mosquito, principalmente na região do centro, sendo a zona onde temos maior número de focos de mosquito Aedes Aegypti, as vezes encontramos um foco em um quarteirão e as vezes são quatro ou cinco focos”.
De acordo com João Ricardo o trabalho continua sendo feito, “continuamos fazendo o que chamamos de tratamento, estamos fazendo o monitoramento e tratando as áreas onde estamos passando, o tratamento se divide em mecânico e químico, o mecânico é a base do programa, consiste na inutilização e retirada de eventuais criadouros de mosquito, seja latinha, garrafa pet, pneus, tudo aquilo que possa ser um criadouro inutilizamos e retiramos do local, quando não é possível fazer a retirada dos criadouros fazemos o tratamento com produto químico, que é utilizado em último caso quando não existe alternativa e temos que deixar o local tratado”.
Para o chefe da Vigilância Sanitária a grande dificuldade encontrada é a grande quantidade de casas fechadas. “E, por incrível que pareça, ainda tem gente que recusa a visita dos agentes do controle da dengue, a equipe não consegue operar um milagre, o trabalho se conseguirmos cumprir o programa, prevê ciclos de a cada dois meses, o ciclo do mosquito são sete dias, mesmo que consigamos cumprir, num período de dois meses temos vários ciclos de sete dias. O que fazemos? Eliminamos as condições para o mosquito se reproduzir, mas provavelmente o mosquito adulto continua na área. O que o morador deve fazer? Deixar aquela área livre de criadouros de mosquito, não é só a equipe da dengue que tem que fazer o controle, a população também tem que fazer parte desse controle colaborando com o poder público. O morador tem que manter aquela área livre de criadouros de mosquito até a gente chegar novamente. O que isso vai fazer? O mosquito adulto não vai ter condições de reprodução e vai acabar não deixando nenhuma geração”.
João Ricardo assegura, no entanto, que “não adianta fazermos um trabalho de retirada de criadouros de mosquito e no outro dia o morador colocar criadouros de novo, o mosquito adulto, como falei, ainda está na área, irá encontrar esses criadouros e continuará reproduzindo, a população é o principal agente do controle do mosquito”.

Ainda não foram apresentados os números deste ano
Com relação ao ano de 2016 a Vigilância Sanitária ainda não recebeu os resultados do laboratório, deve estar chegando hoje. “Até então desse ano não temos os números, mas deve ser mais ou menos nesse mesmo molde, já terminamos um ano bastante negativo com 230 focos do mosquito, é mais do que suficiente para a comunidade começar a tomar pé da situação, o controle da dengue como falei, não corresponde somente ao poder público, se o morador não fizer parte e não criar o hábito de no mínimo uma vez por semana tomar essas atitudes que s]ao simples, 10 minutos a cada semana é o suficiente para começarmos a diminuir a infestação do mosquito. O morador deve revisar sua casa e ver se não tem criadouro de mosquito, ver se a calha de água não está acumulando água, todos esses cuidados que vemos constantemente na imprensa temos que colocar em prática”.
O técnico garante que controle da dengue, nos tempos atuais, tem que fazer parte dos nossos hábitos, sendo incorporado na nossa rotina, o ideal é monitorar todos os dias, mas no mínimo uma vez por semana tirar 10 minutos do dia e dar uma olhada para tentar identificar criadouros de mosquito. Se encontrar, eliminar esse criadouro, não é necessário chamar a equipe para verificar se há mosquito ali.
“Temos um roteiro de trabalho e quando começamos a nos desviar desse roteiro perdemos rotina de trabalho, logicamente que investigamos denúncias, mas em casos onde o morador não tem acesso”, completa.
O verão é um período bastante crítico pois as temperaturas propiciam o surgimento e a proliferação dos mosquitos. Chuva, calor, tudo ajuda para que o mosquito se reproduza com mais facilidade. Ainda mais nesse período em que as pessoas tiram férias, essas pessoas entrando em contato com o vírus, e um caso que tenha é o suficiente para infectar o mosquito e começar a transmissão da doença. “Bem como não falamos só em dengue mas também em chikungunya e zika virus, já são mais de 3.500 crianças que nasceram com microcefalia relacionada ao vírus zika, é uma doença distinta da dengue onde a pessoa se recupera, crianças com microcefalia vão portar isso para o resto da vida. Hoje em dia a nossa arma é não deixar o mosquito se reproduzir e a população tem que colaborar também, 90% dos criadouros estão dentro das residências”, finaliza João Ricardo.


 
< Página Principal 
 
Folha de Quaraí O Jornal da Comunidade
Av. Artigas esq. Fco Carlos Reverbel - Quaraí, RS
Telefone: (55) 3423-5593 - Todos os Direitos Reservados ® 2011 - 2017
Tecnologia Web: Franco Sampaio Tecnologias de Informação