Edição Nº: 5339 - Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2016.
 
Conheça a história da informatização do voto no Brasil

Em seus 20 anos de existência, a urna eletrônica passou por um processo de evolução, prezando sempre pela segurança e garantia do sigilo do voto. Mas até chegar ao modelo informatizado de votação, diversas pesquisas para o aprimoramento da tecnologia foram realizadas pela Justiça Eleitoral.
Antes da informatização, os eleitores tiveram que votar manualmente, por meio de cédulas de papel, em urnas de madeira, metal e lona. Diferente do que acontece hoje, levava-se mais tempo para votar e a apuraração, que era feita por várias pessoas, demorava dias para ser finalizada.
A intenção de facilitar a vida do eleitor com a criação de um sistema mecanizado para coletar os votos é antiga. O Código Eleitoral, de 1932, em seu artigo 57 já previa o “uso das máquinas de votar”. A Ideia foi suscitada mais de meio século depois, em 1958, por Sócrates Ricardo Puntel, com a criação da máquina de Puntel. O equipamento, que funcionava por meio de duas teclas e duas réguas que indicavam os cargos a serem preenchidos, não chegou a ser utilizado no processo eleitoral.
Somente entre 1985 e 1986, com a consolidação do cadastro único e automatizado de eleitores, a informatização do voto começou a virar realidade no país. Os recursos tecnológicos da época foram suficientes para a criação do sistema. Antes disso, os registros eram feitos em papel.
Com o cenário mais informatizado, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) começaram a trabalhar no desenvolvimento de diversos protótipos de urnas eletrônicas. Em 1989, os eleitores de Brusque, em Santa Catarina, votaram pela primeira vez utilizando um computador, em caráter experimental, no 2º turno das eleições presidenciais. Naquele ano, os TREs foram, também pela primeira vez, interligados (mediante canal de voz e dados) a um computador central instalado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A recepção das informações, feita num microcomputador modelo 386, obteve êxito.
Contudo, somente em 1994, o TSE realizou o processamento eletrônico do resultado das eleições gerais daquele ano, com recursos computacionais da própria Justiça Eleitoral. Na ocasião, a infraestrutura necessária para que se pudesse pensar em votação eletrônica foi montada com a criação da rede nacional da Justiça Eleitoral. Essa rede permitia transmitir a alguns centros regionais as apurações de cada município. Tanto que na eleição presidencial de 1994, por volta de 11 horas da noite, foi possível anunciar o candidato eleito após alcançar a maioria absoluta dos votos.
A partir de 1995, a urna eletrônica que se tem notícia atualmente começou a ganhar forma. O objetivo dos técnicos era tornar o processo mais seguro, ágil e afastar o máximo possível à intervenção humana do processo eleitoral. O projeto para a informatização do voto foi apresentado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, naquele ano. Um “grupo de notáveis” - formado por desembargadores, juristas e funcionários da Justiça Eleitoral -, ficou responsável pela definição de como deveria ser feita a coleta automática de votos.
Os técnicos realizaram testes com Personal Computer (PC) - computador de pequeno porte e baixo custo - pelos tribunais regionais. No entanto, o entendimento firmado à época era que o computador não seria um mecanismo seguro suficiente para ser adotado no âmbito da votação eletrônica em todo o país. Então, os técnicos passaram a se dedicar à construção de um equipamento baseado em computador, com tela, teclado e CPU num mesmo bloco, e com vários requisitos de segurança já implementados.
Os técnicos também se empenharam para que a máquina fosse de fácil interação com o cidadão e totalmente fechada, impedindo o acesso a suas memórias internas, algo que o computador na época não oferecia. “Ao invés de se ter um teclado com várias opções, se teria algo muito objetivo, que viabilizasse inclusive o voto do analfabeto. O teclado do telefone [adotado na urna] foi justamente para possibilitar que o analfabeto e o deficiente visual pudessem interagir com aquele dispositivo sem muita dificuldade”, explica Giuseppe Janino, secretario de Tecnologia da Informação do TSE.
Assim, com base em premissas determinadas pelo “grupo de notáveis”, foi designado um “grupo técnico” para desenvolver o projeto básico da urna eletrônica. Para tanto, foram chamados três engenheiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um do Exército, um da Aeronáutica (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA), um da Marinha e outro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).
“Foi uma solução desenvolvida para a nossa necessidade [brasileira], não foi uma solução importada. Nós não fomos ao mercado adquirir alguma solução para a automatização do voto. Desenvolvemos internamente o projeto. Essa solução tem o diferencial de servir exatamente para as nossas necessidades e se encaixar exatamente na nossa realidade”, ressalta o secretário de Tecnologia da Informação do TSE.
Na época, o “grupo de notáveis” recomendou que a coleta de votos de forma eletrônica fosse feita considerando-se apenas os números dos candidatos e partidos, com teclado e monitor disponíveis para que o eleitor pudesse registrar seu voto e visualizar se o candidato escolhido correspondia ao que foi digitado no teclado.

 
< Página Principal 
 
Folha de Quaraí O Jornal da Comunidade
Av. Artigas esq. Fco Carlos Reverbel - Quaraí, RS
Telefone: (55) 3423-5593 - Todos os Direitos Reservados ® 2011 - 2017
Tecnologia Web: Franco Sampaio Tecnologias de Informação