Edição Nº: 5346 - Sexta-Feira e Sábado, 05 e 06 de Fevereiro de 2016.
 
Espionagem e silêncio: Bastidores do chapéu do Grêmio no Inter por Henrique

Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda. A frase dita por Marlon Brando em ‘O Poderoso Chefão’ pode muito bem definir como o Grêmio deu um chapéu no tradicional rival, Internacional, na contratação do centroavante Henrique Almeida. Saber cada passo do oponente aliado a um bloqueio absoluto do vazamento de informações resultou no surpreendente anúncio do jogador no fim da tarde de quarta-feira.
O treinamento do Grêmio transcorria normalmente na Arena. O time se preparava para o jogo de quinta-feira contra o Aimoré pelo Gauchão. De repente, o Twitter oficial do clube chama uma transmissão no Periscope. Os dirigentes do departamento de futebol deixam a beira do gramado e vão até a sala de conferências da Arena. Lá, Henrique assina seu contrato e fala algumas palavras exclusivas ao torcedor. Surpreendente.
 Mas a movimentação gremista, com requintes de James Bond, começou muito antes. Henrique, que esteve acertado em 2015 com o Tricolor e acabou não sendo contratado porque não tinha a característica pretendida por Felipão (que preferiu Braian Rodríguez), era alvo desde o fim do ano passado. E em dezembro o Tricolor já sabia das movimentações do Colorado sobre ele.
 O Grêmio tinha a informação que o jogador estava acertado com o Internacional. Ao mesmo tempo que a reportagem do UOL Esporte apurava esta informação, a direção colorada anunciava que o jogador entraria na Justiça contra o Botafogo, então dono de seus direitos. Tudo exatamente como o Grêmio previa.
 O Inter esperou a decisão do Tribunal, que foi favorável ao atleta. O Grêmio fez o mesmo. Agindo como se tivesse desistido, o clube azul, branco e preto montou dois planos de negócio. Um necessitando da anuência do Botafogo, outro não. Dependendo do resultado, um seria apresentado ao jogador.
 Henrique Almeida esteve no Beira-Rio na partida contra o Coritiba, assistiu dos camarotes o empate em 0 a 0. O Grêmio sabia disso. Sabia números, cláusulas, ofertas que seriam e de fato foram feitas ao atleta pelo Internacional. Sabe também que as questões jurídicas são exatamente as mesmas entre os clubes e que não foram elas a razão para a saída da negociação. O Grêmio manteve o Inter perto, sem que o inter percebesse. Tinha detalhes de cada movimento do rival, sem o inimigo saber disso.
 Isso porque desde o desfecho negativo na negociação pelo meia Nikão, do Atlético-PR, o Grêmio blindou a direção. Passou a adotar silêncio absoluto sobre qualquer nome. Atestou que o debate público sobre reforços em nada tinha a acrescentar. Jamais repetiu a estratégia de confirmar investidas. E teve sucesso ao menos nesta vez.

 
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