Edição Nº: 5347 - Domingo e Segunda-Feira, 07 e 08 de Fevereiro de 2016.
 
O português na opinião de quem vem de fora

O português é um dos idiomas mais difíceis do mundo, dizem os brasileiros. Com as novas regras de ortografia, ele parece ter se tornado ainda mais complexo. Apesar de especialistas não concordarem totalmente com essa “má-fama” da língua, um bate-papo com quem busca aprender as primeiras palavras e frases comprova que nossas exceções, irregularidades, regências e conjugações costumam dar dor de cabeça em quem vem de fora.
Mesmo com as dificuldades, o português está em alta entre os estrangeiros. A descoberta do idioma ocorre em cursos no país de origem ou em escolas brasileiras. A vinda ao país devido a uma oportunidade de trabalho faz deste o empurrão inicial de grande parte dos estudantes, sejam adultos ou crianças que acompanharam os pais. No primeiro semestre deste ano, quase 33 mil estrangeiros foram autorizados a trabalhar no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.
Acostumado a ensinar português a estrangeiros, Leandro Alves Diniz, professor de Língua Portuguesa da Unila, diz que o idioma é tão complexo e rico como qualquer outro. “Costumo brincar que nosso idioma é tão fácil que uma criança brasileira com cinco anos fala superbem e que ele é tão difícil que qualquer um de nós que tentar explicar como o português funciona não vai conseguir”, diz.
Conforme a professora Zélia Torres de Albuquerque, do Colégio Internacional de Curitiba, a nacionalidade de cada pessoa geralmente interfere na forma de aprender. “Se temos um aluno latino, o aprendizado do português é mais rápido. Com um americano, alemão ou japonês, é mais demorado. Mas cada aluno é um caso e tem o seu momento de absorção da língua em estudo.”
Para a intercambista finlandesa Anniina Tahka, 16 anos, há três meses no Brasil, o aprendizado do português tem sido mais complexo. “O português está sendo o mais difícil. Por enquanto, eu assisto às aulas, mas fico só ouvindo. Acabo misturando muito os outros idiomas”, conta a jovem, que já domina o sueco e o inglês.
Tempo de estudo
Diniz afirma que é difícil precisar o tempo que alguém leva para aprender o português. “Depende da motivação, da relação do aluno com a língua, se ele está imerso no contexto ou se está no Brasil”, explica. Ele diz que algumas pessoas podem falar e escrever bem em um ano e outras podem morar anos no Brasil e se acomodar com o básico do idioma.
Há dois anos no Brasil, o norte-americano Dallin Cordon, 15 anos, ainda dá escorregadas no português. Ele diz que é difícil saber onde termina uma palavra e começa outra e considera a conjugação de verbos a parte mais complicada. A ajuda da mãe, que havia passado um tempo em Portugal, foi muito importante para a adaptação. “Minha mãe falava as palavras bem devagar e eu repetia para outras pessoas”, diz.

 
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