Edição Nº: 5347 - Domingo e Segunda-Feira, 07 e 08 de Fevereiro de 2016.
 
Como o River Plate convenceu D’Alessandro a deixar o Inter

Porto Alegre, 27 de dezembro de 2014. Neste dia, D’Alessandro realizou o sonho de infância e jogou ao lado de Ruben Paz e Enzo Francescoli, em partida beneficente no Beira-Rio. A experiência também criou uma relação entre o meia e o ex-camisa sete da seleção uruguaia. Esta amizade foi a porta de entrada do River Plate para conseguir aquilo que parecia impossível durante sete anos e meio.
Foi Francescoli o elo entre River e D’Alessandro. Foi Enzo Francescoli o artífice da proposta feita ao Inter, o líder da abordagem silenciosa que resultou em um negócio com ares históricos. A estratégia envolveu de tudo um pouco e foi moldada no Uruguai.
Punta Del Este, 5 de janeiro de 2016. Francescoli recebe D’Alessandro na cidade litorânea para um jogo amistoso. A partida é só um pretexto para o diretor de futebol do River apresentar, oficialmente, uma proposta ao camisa 10. E não foi só ele. Também apareceu o presidente do time, Rodolfo D’Onofrio.
“O River chegou há um tempo, mas se fez forte no jogo de Punta Del Este que eu fui em janeiro. O River vinha tentando falar comigo e meu empresário antes, mas em janeiro eu falei com o Francescoli e o presidente lá”, revelou D’Alessandro.
O discurso foi com uma pegada emotiva: Libertadores, River Plate. Uma volta ao lar. Com o clube em alta após o título da América de 2015. Marcelo Gallardo, que estava em Buenos Aires retomando os treinos com o elenco, também foi acionado.
Por telefone, o treinador encheu D’Alessandro de elogios e conjecturou o time com sua presença. A disponibilidade de Gallardo e a empolgação de todos foi o sinal que o jogador queria. Faltava o resto: o dinheiro a ser repassado ao Inter.
Na última segunda-feira, em reunião com seu empresário Matias Aldao e familiares, D’Ale tomou a decisão que durante vários anos julgou ser parte de um futuro distante e, por vezes, integrante de uma realidade paralela. No dia seguinte, o meia procurou o Inter e pediu para ser liberado.
Durante as horas que se seguiram, incluindo o treinamento no Passo D’Areia com sua grama sintética, Inter e D’Alessandro fizeram um esforço gigantesco para manter a negociação em silêncio. A discrição foi um pedido expresso ao River Plate. Sob pena de cancelamento total das tratativas.
Na quarta-feira pela manhã, Inter e River acertaram o negócio e D’Alessandro foi comunicado – na concentração do clube, que tinha aval para sair. Diretoria e jogador reiteraram mais de uma vez que a grande motivação para o negócio foi o envolvimento emocional com o clube argentino. Mas a relação do jogador com alguns dirigentes já não era das melhores. A exposição e a cobrança diária, até por detalhes pequenos, também foram para a balança.
Aos 34 anos, D’Alessandro vai para o River Plate por empréstimo de um ano. Em janeiro de 2017, o Internacional espera pelo seu retorno. Até lá, o time argentino vai tentar outra missão que parece impossível: convencer o meia a ficar, a se aposentar em Buenos Aires.

 
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