Desde que a primeira Inteligência Artificial (IA) regenerativa foi lançada há apenas seis anos, iniciamos uma nova era na história humana, os impactos no cotidiano das pessoas, nos empregos, na economia e na política já são evidentes e a tendência é que se tornem ainda mais intensos nos próximos anos.

À primeira vista, parece consensual que o desenvolvimento da IA seja acompanhado por todas as nações, de maneira extremamente cuidadosa, diante dos riscos cada vez mais óbvios. Só para citar alguns, já convivemos com deepfakes realistas, campanhas automatizadas de desinformação e substituição de trabalhadores em áreas que envolvem até mesmo a criatividade. É praticamente inevitável que ferramentas de IA estejam impregnadas em quase todas as atividades humanas em poucos anos. Algo tão crucial é de interesse de todos. É essencial que o desenvolvimento das IAs ocorra de maneira absolutamente transparente.

Mas o presidente dos Estados Unidos tem opinião frontalmente contrária. Em seu discurso na ONU, Donald Trump foi enfático ao rejeitar “qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”. O próprio Trump explicou sua postura ao afirmar que quem controlar a tecnologia, será o “vencedor” da nova revolução tecnológica.

Não resta dúvida que o líder norte-americano trabalha pelo monopólio da tecnologia como arma do neoimperialismo inaugurado em seu governo. Contra tal postura, danosa por si só, as nações precisam se unir. Mais do que nunca, o multilateralismo se faz necessário.

O efeito transformador da IA é tão acentuado que a tecnologia não pode ser prerrogativa de um “grupo de nações parceiras”. Em algum momento da história da humanidade, os países terão que assumir posturas que não visem apenas o próprio benefício, mas o bem de todos.

Temos essa oportunidade no enfrentamento das mudanças climáticas, mas estamos falhando. A questão da IA é outro assunto que deve ser tratado globalmente. A atitude de Trump é flagrantemente ultrapassada e vai de encontro a várias iniciativas que buscam exatamente a colaboração global.

Vivemos um momento crucial de nossa história e não há mais espaço para impérios, com nações subjugando outras.