A violência contra a mulher é um dos graves problemas no Brasil. Foram 1.571 feminicidios no ano de 2025, um aumento de 4% quando comparado com o ano anterior. O desafio é enfrentar a violência contra a mulher com determinação, coragem e de modo contínuo, o que deveria ser um pacto institucional e da sociedade.

O que se constata na campanha política deste ano é a banalização do tema. Candidatos cujo histórico de vida é marcado por atos de violência contra a mulher, misoginia e racismo se apresentam como aqueles que irão por fim nessa violência. São peças que denunciam o descaso e o desrespeito desses candidatos no trato da questão. Tentam, ao incluírem a violência contra a mulher, obter a simpatia do eleitorado feminino – que é maioria no país – na caça aos votos e a conquista de mandatos.

Poderia ser uma ironia assistir, no horário eleitoral gratuito, as falas de candidatos à Presidência da República, à Câmara dos Deputados e ao Senado na apresentação de compromissos em defesa dos direitos humanos da mulher. Basta uma rápida pesquisa sobre esses candidatos para uma enxurrada de atos violentos virem à tona. Alguns deles têm histórico familiar nesse tipo de violência.

Não é admissível que a desfaçatez permaneça no horário eleitoral. A quantidade de mulheres assassinadas, estupradas, espancadas no Brasil não permite esse tipo de chantagem. Tem que ser enfrentada e combatida.

Em todas as regiões, em grau mais intenso ou menos, as mulheres brasileiras vivem sob ameaça cotidiana sem trégua e esse quadro gera transtorno mental. Políticos candidatos que utilizam de maneira eleitoreira esse quadro não raro estão agrupados numa determinada ala que tem na produção da cultura da violência e reprodução diária de respostas violentas.

Vestem a roupa da empatia à causa que não cabe neles tentando manipular o destino de votos. Nos itens violência contra a mulher, segurança pública, a maioria dos candidatos escancara seus desejos e propostas que, analisadas, demonstram o quanto estas vinculam-se à manutenção e apoio ao sistema de violência.

Nesse aspecto, são explícitos: não querem mudar e sim aprofundar as assimetrias socioeconômicas geradoras de tantas violências e do aprofundamento da desigualdade. São candidatos que em momentos recentes apoiadores e ou assessores defendiam o fim do voto da mulher e o voto do homem como o voto da família. Um absurdo em debate.