Das pesquisas eleitorais vejo outras coisas. E não gosto delas. Não que eu possua uma visão mais apurada, apenas virei a cabeça para outro lado que não aquele que mostra quem pode ganhar.
Para melhor elucidar o que quero trazer, é preciso que combinemos algumas premissas para fins hipotéticos, dentre elas, mandar às favas a constitucional presunção de inocência, francamente. Já que no Brasil ninguém dá bola para a constituição, assim também ao devido processo legal, ampla defesa, contraditório e por aí vai, dá bem pra fazer aqui esse exercício de ignorância.
Vamos, logo, ao tribunal do povo, da massa, em que vigora a presunção de culpa diante de tudo e de todos, de parentes, passando por vizinhos e amigos, conhecidos, famosos, e afamados, instituições públicas e privadas, corpóreas e incorpóreas, chegando aos grandes da República. Se há alguém de quem o brasileiro desconfie, é do próprio brasileiro.
Então olhemos para a campanha eleitoral em curso, onde, a exemplo das outras, não faltam, pelo contrário pululam, acusações das mais dantescas, ainda no âmbito policial, ministerial, ou judicial, mas sem trânsito em julgado, aos que despontam nas pesquisas. Bulhufas! Na Corte de justiça popular já são condenados. O resto é tecnicismo...
Mas, ainda assim, quarenta e poucos por cento pra lá, quarenta e poucos por cento pra cá, eles são os primeiros a despontarem nas intenções de voto de um todo que supera qualquer pretensão dos demais candidatos contra quem nada emergiu (talvez por isso mesmo, por estarem lá atrás).
Aliás, entrevistados esses que dizem assim optar em razão de um País melhor e livre da corrupção... Só se for a do outro lado!
E olha que os candidatos ainda “imaculados”, ou menos maculados, bradam aos quatro cantos tal condição, ostentando trajetórias de serviços ditos prestados, sem nenhuma categoria de acusação, portanto de condutas incomparáveis àqueles preferidos nas pesquisas e mutuamente acusadores de toda a sorte de escândalos.
Não adianta... Verdade ou não o que dizem os pretendentes preteridos nas opiniões eleitorais, eles sequer são ouvidos.
A verdade, me parece, é que o brasileiro, sim, convive, e muito bem, com a corrupção. Bem ao contrário do que propala por aí. Deblatera contra, mas vota a favor. Ao menos de acordo com o tribunal da população, onde o processo de instrução tramita no celular, rádio e televisão. Longe de surpreender, ainda impressiona como toda uma coletividade externa ojeriza às corrupções históricas nossas de cada dia, mas a folha corrida da Instância da opinião pública (e publicada), que é a mesma que condena, não tem a menor relevância...
Compreender os dados das pesquisas é fácil. Difícil é entender esse povo.
