Por Péricles da Costa, advogado

Olha, já não é muito fácil opinar hoje em dia.

É de conhecimento público a existência de hordas de murrinhas de plantão a caçar manifestações escritas ou oralizadas que possam ser objeto de polêmica desta ou daquela dimensão, em ambiente público ou privado, ao sabor do bom ou mau gosto de cada um.

Fazer o que, né? É a Constituição mal interpretada por esses chatos que negam o direito de opinar e só enxergam o direito seu de opinar sobre a opinião. Que vá buscar entender a essa gente quem tiver paciência, e tempo, para tanto. Não é o meu caso...

Mas, claro, há conceitos, palpites, que fazem "trocar de orelha", como diz o gauchês, ou atentar, ora pela reiteração, ora pela procedência, mas sempre pelo notável emprego das boas maneiras, da fidalguia, da franca vontade de contribuir. Ao menos a mim...

Não se trata de onde ou de quem elas, as considerações, vêm, mas de como elas vêm e chegam: na velocidade da temperança e com as vestes da civilidade. Até afetividade, posso afirmar.

E foi, não uma, mas algumas, várias em verdade, dessa natureza às quais dei ouvidos, prestei atenção e refleti: são mesmo verdadeiras.

Disseram apreciar o que digo, embora discordem, me alegaram algumas. Não poucas, para ser sincero.

Já outras, documentaram incompreensão, uma vez que me leram prolixo, obtuso, por vezes indecifrável e assim, um tanto turvo.

Absoluta razão aos segundos!

Não me comparei, por óbvio, a Fernando Sabino, cuja qualidade da escrita se salientava na objetividade de seus contos e simplicidade de seu linguajar até mesmo diante das mais complexas estórias, ou histórias, que trouxesse em seus romances em preto e branco.

Recordei dele, pois foi quem afirmou ser a simplicidade da escrita a característica mais sublime, como o atributo mais difícil de ser exercido por quem em algum grau e dimensão se dedica a ela.

Pois bem: pelo que ouvi, não a tenho.

É coisa para ser tentada, exercitada, a partir de agora, eu prometo, a quem interessar possa.

Ainda assim, sempre no regime de franqueza e carinho a quem me dedica alguns minutos de seu dia para ler meus textinhos recreativos (a mim), fica a necessidade de documentar, de deixar claro, de registrar, que nunca, mesmo, foi por exibicionismo, preciosismo, atavismo ou meandrismo.

É amadorismo mesmo.

Se aos amigos e amigas que assim generosamente advertiram, como ao autor de O Encontro das Águas, a simplicidade é uma virtude na escrita, é atrás dela que eu vou.

Não é um vício insanável; só um cacoete a ser superado. Como muitos na vida.