Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)

Faltando dez dias para o segundo turno das eleições, quando os brasileiros escolherão o próximo presidente da República e os governadores dos Estados onde haverá nova votação, assistimos a uma campanha marcada pela agressividade, pela polarização e pela ausência de propostas consistentes. O debate político, que deveria representar um exercício democrático de respeito e cidadania, transformou-se em palco de acusações, notícias falsas e ataques pessoais que pouco contribuem para o esclarecimento do eleitor.

A disputa parece cada vez mais distante dos verdadeiros problemas nacionais. Em vez de apresentar soluções para a economia, a saúde, a educação, a segurança e o emprego, muitos candidatos e seus apoiadores preferem alimentar rivalidades e explorar sentimentos de rejeição. O risco é que parte do eleitorado escolha não aquele que considera mais preparado para governar, mas simplesmente aquele que representa a derrota de seu adversário.

Outro aspecto preocupante é a utilização de promessas de benefícios financeiros e medidas populares como instrumentos de convencimento eleitoral. Perdão de dívidas, incentivos econômicos, vantagens previdenciárias e outras propostas precisam ser examinados com responsabilidade. Não basta anunciar benefícios para conquistar votos. É indispensável demonstrar sua viabilidade, os recursos necessários e as consequências para as contas públicas.

Também merecem atenção propostas que alteram direitos trabalhistas, como a redução da jornada semanal sem diminuição dos salários. São questões relevantes que exigem diálogo entre governo, empregadores e trabalhadores, além de estudos sobre seus impactos na economia, na produtividade e na geração de empregos. Decisões dessa importância não podem ser conduzidas exclusivamente pelo interesse eleitoral.

As pesquisas, por sua vez, contribuem para intensificar a disputa. Embora sejam instrumentos legítimos de avaliação, representam tendências de determinado momento, não resultados definitivos. Nenhum candidato deve considerar a vitória garantida, assim como nenhum eleitor deve permitir que os números substituam sua própria avaliação.

Precisamos recuperar a confiança nas instituições e no processo democrático. Os integrantes dos Três Poderes devem compreender que suas responsabilidades estão acima dos interesses pessoais, partidários ou eleitorais. A população espera compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público, não disputas permanentes que enfraquecem a credibilidade política.

A renovação promovida nas urnas durante o primeiro turno representa uma oportunidade de mudança. Entretanto, nenhuma transformação será verdadeira se os eleitos repetirem práticas que tanto decepcionaram a sociedade brasileira.

Neste momento decisivo, cabe ao eleitor exercer seu papel com serenidade e responsabilidade. É necessário analisar a trajetória dos candidatos, suas propostas, suas promessas e, principalmente, a capacidade de realizá-las. O voto não deve ser instrumento de vingança, manifestação de ódio ou submissão cega a ideologias.

O eleitor precisa compreender que, encerrada a campanha, os candidatos seguirão seus caminhos, mas as consequências das escolhas políticas permanecerão na vida de cada brasileiro. Promessas podem ser esquecidas, discursos podem mudar, porém os efeitos de um governo atingirão diretamente a população.

Por isso, vote com consciência, sem ódio e sem fanatismo. Não entregue seu futuro às emoções de uma campanha. Vote com a razão, pois, ao final, quem poderá pagar o preço de uma escolha equivocada será você.